Andando no caminhão 100% elétrico da empresa

           
A semana foi de muita correria, daquelas em que mal sobra tempo para descansar. Mas terminei os últimos dias com uma experiência diferente: finalmente tive a oportunidade de pegar carona em um dos caminhões elétricos da empresa.

Como a base onde deixamos os caminhões no fim de semana tem uma logística complicada para quem precisa seguir viagem, aproveitei a carona para chegar até um ponto onde pude embarcar no ônibus para a minha cidade.

O mais interessante é que o veículo era um dos caminhões 100% elétricos da SANY, utilizados na operação de transbordo de resíduos entre Praia Grande e o aterro sanitário de Mauá.

Foi a minha primeira experiência dentro de um caminhão totalmente elétrico. Mesmo como passageiro, deu para perceber vários detalhes sobre como é rodar em um veículo desse tipo.

A primeira impressão é o silêncio. A ausência do ronco do motor causa estranheza para quem passou a vida inteira acostumado com caminhões a diesel. Mas, pensando bem, os caminhões modernos já evoluíram muito nesse aspecto. Em velocidade de cruzeiro, o que mais se ouve é o ruído dos pneus em contato com o asfalto e o vento contornando a cabine.

          

Ainda assim, a falta de vibração do conjunto mecânico chama bastante atenção. E aí entra um detalhe que, muitas vezes, passa despercebido: quando o motor deixa de produzir ruído, qualquer barulho interno ganha destaque. Rangidos de acabamento, vibrações do painel, bancos, suspensão e demais componentes precisam ser muito bem controlados, algo que num caminhão a diesel costuma ser mascarado pelo próprio funcionamento do motor.

Nesse ponto, o caminhão me surpreendeu positivamente. O acabamento interno e a qualidade de montagem merecem elogios. Confesso que não esperava esse nível de capricho em um caminhão chinês da SANY.

Durante o trajeto, o motorista comentou que dirigir aquele caminhão lembra conduzir um metrô ou um trem urbano. Depois de alguns quilômetros, entendi exatamente o que ele quis dizer. A entrega imediata de torque, que empurra o motorista suavemente contra o banco nas arrancadas, somada ao leve ruído metálico característico do motor elétrico, realmente lembra muito a sensação de viajar em um trem elétrico.

Outro ponto que me chamou a atenção foi o comportamento do caminhão nas curvas. Como fui apenas de passageiro, não posso fazer uma avaliação definitiva, mas tive a impressão de que a carroceria inclina um pouco mais do que estamos acostumados em caminhões convencionais. Não chega a transmitir insegurança, porém é algo que exige atenção do motorista.

É difícil dizer a causa exata. Pode ser consequência do grande conjunto de baterias instalado logo atrás da cabine, alterando a distribuição de peso, ou até mesmo da calibração da suspensão, que me pareceu bastante macia. Essa característica lembra alguns automóveis chineses, que privilegiam muito o conforto, mas acabam sacrificando um pouco da firmeza em pisos irregulares, realidade bastante comum nas estradas brasileiras.

            

De qualquer forma, seria interessante dirigir o caminhão por mais tempo e em diferentes condições para entender se essa sensação realmente faz parte do projeto ou foi apenas uma impressão daquele percurso específico.

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre durabilidade, custos ou produtividade, mas como primeira impressão a experiência foi bastante positiva. Valeu a oportunidade de conhecer de perto essa tecnologia, que já faz parte da rotina da empresa e deve ganhar cada vez mais espaço no transporte.

E eu continuo devendo um conteúdo mais completo sobre esses caminhões nas redes sociais. Em breve vou mostrar mais detalhes dessa operação e compartilhar outras impressões sobre o SANY elétrico.

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